segunda-feira, 31 de março de 2025

Outono em nossas vidas


Outono também é conhecido como o tempo da colheita, pois é nesta época que ocorrem as grandes colheitas. Os dias ficam mais curtos e mais frescos. As folhas e frutas, já estão bem maduras e começam a cair no chão. Se as árvores não as deixassem ir, não sobreviveriam à próxima estação. As folhas se queimariam com o frio do inverno e, assim, os ciclos de respiração da árvore se findariam bruscamente, o que resultaria no fim da vida.

Traçando agora um paralelo entre as estações e a nossa vida, podemos perceber que vivemos todas elas no nível psicológico e emocional. 

Temos a primavera quando semeamos amor, começamos novos projetos, momentos de criatividade, produtividade. 

Temos o inverno em nossas vidas como momentos de tristeza, desilusões, momentos de escuridão, interiorização. 

Temos o verão quando a felicidade e alegria nutrem nossa alma, quando temos momentos de descanso, de paz, de certeza. 

E, finalmente, o outono em nossas vidas é o momento que colhemos o que plantamos lá na primavera, é o momento de reflexão, de mudanças.

O Outono é a época de praticar o desapego, deixar ir embora o que já não te serve mais e abrir espaço para o novo. É tempo de renovação, de mudanças, de se reinventar. Também é tempo de gratidão, refletir sobre seus esforços e agradecer pelos frutos que você está colhendo agora. Também época de interiorização e mudanças. Então, se você não estiver satisfeito com os frutos que está colhendo, reflita sobre as mudanças que você deve tomar.

O que você precisa deixar ir, do que você precisa abrir mão para seguir firme para os próximos ciclos, para continuar a crescer? 

Agradeça, desapegue, mude, se reinvente, se renove. Abra espaço para o novo, seja receptivo às mudanças. Diga adeus a tudo aquilo que não te serve mais, diga oi ao seu Outono!




Por: Nathalia Morgana/adaptado



terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Você guarda grandes machucados na alma há muito tempo?

Cuidado, esse é um grande fator de risco para a saúde mental.



O que os machucados físicos podem nos ensinar sobre os machucados emocionais
Imagine torcer o pé e não cuidar da contusão. Com o passar do tempo, a dor persiste, alterando a forma como você anda e impactando atividades simples, como correr ou até mesmo permanecer em pé por muito tempo. Ou pense em um pequeno corte na mão que, embora pareça insignificante, dificulta tarefas cotidianas, como lavar louças ou segurar o volante do carro. Esses exemplos mostram como ferimentos físicos podem afetar nossa rotina e bem-estar, mesmo quando não parecem tão graves à primeira vista. Mas o que talvez nem sempre percebemos é que o mesmo acontece com os machucados da alma.
Assim como negligenciar uma lesão física pode comprometer nosso corpo, ignorar feridas emocionais pode desorganizar nossa mente, nossos sentimentos e até mesmo nossa vida.

Os acidentes emocionais que deixam marcas profundas

Ao longo da vida, todos estamos sujeitos a vivenciar experiências que podem ser chamadas de “acidentes emocionais”.
Assim como um tropeço pode resultar em uma torção no pé, situações inesperadas podem deixar cicatrizes em nossa alma. Elas podem acontecer na infância, na adolescência ou na vida adulta e muitas vezes carregam consequências que perduram por anos.
Esses eventos podem incluir um abandono emocional, uma infância marcada por violência ou abuso, a perda de alguém querido, uma grande decepção ou um golpe inesperado da vida. Podem ser também situações relacionadas a doenças graves, injustiças profundas ou mudanças abruptas e devastadoras. Cada pessoa possui sua própria história, mas nenhuma está imune a esses percalços.
Essas feridas emocionais podem nos transformar em caminhantes que seguem pela vida arrastando dores invisíveis. Algumas pessoas conseguem seguir em frente, adaptando-se ao sofrimento, enquanto outras desistem de caminhar por completo. Mas, em ambos os casos, a ausência de cuidado com esses machucados psicológicos pode trazer consequências graves e duradouras.

A dor que se torna parte do cotidiano
Muitas pessoas se acostumam tanto às suas dores emocionais que acabam normalizando-as. Elas se adaptam ao sofrimento como se ele fosse um “companheiro silencioso”, que sempre esteve presente e, por isso, parece natural. No entanto, por mais que a humanidade seja capaz de suportar grandes adversidades, viver em constante dor ou sofrimento não deveria ser algo permanente na vida de ninguém. Dores emocionais não tratadas são como uma bola de neve descendo uma ladeira.
No início, o impacto pode parecer pequeno, mas, à medida que o tempo passa, a carga emocional cresce e os danos se intensificam. Isso afeta não apenas a saúde mental, mas também a física, os relacionamentos e até mesmo o desempenho social e profissional.

O ciclo de agravamento e suas consequências
Carregar traumas e sofrimentos antigos sem tratá-los cria um ciclo de agravamento. Pequenos machucados emocionais podem evoluir para transtornos mentais mais sérios, como depressão, ansiedade crônica ou até mesmo doenças psicossomáticas. Além disso, essas condições frequentemente transbordam para os relacionamentos interpessoais, afetando famílias, amizades, ambientes de trabalho e até a convivência social.
Quando esses sofrimentos não são cuidados, eles podem desorganizar não apenas a vida da pessoa que os carrega, mas também de quem está ao seu redor. Famílias são impactadas, projetos de vida ficam paralisados, e até mesmo o equilíbrio da sociedade pode ser afetado pela ausência de um olhar atento para a saúde mental.

A memória viva da psicologia humana
A psicologia humana é viva e possui memória. Às vezes, os desafios que enfrentamos no presente podem ser reflexos de feridas emocionais do passado que nunca foram devidamente tratadas. Mesmo quando tentamos ignorá-las ou reprimi-las, elas permanecem, moldando nossas escolhas e dificultando nossa paz interior.
O poeta estava certo ao afirmar que “o passado não sabe o seu lugar e está sempre presente”. Negligenciar o que já nos machucou não faz com que desapareça. Pelo contrário, o não enfrentamento transforma essas dores em sombras persistentes que nos seguem ao longo da vida.

Cuidar das feridas da alma é essencial
Assim como procuramos um médico para tratar uma lesão física, precisamos buscar apoio psicológico para cuidar dos machucados emocionais. Enfrentar as dores do passado não é apenas um ato de coragem, mas uma necessidade para garantir uma vida mais leve, equilibrada e feliz.
A saúde mental é um pilar fundamental para o bem-estar. Ao cuidar das suas feridas emocionais, você não apenas alivia o sofrimento presente, mas também previne que ele se transforme em um peso insustentável no futuro. Esse cuidado consigo mesmo é um presente que você dá à sua história e às suas possibilidades de realização pessoal e social.

Um convite à transformação
Se você sente que carrega machucados emocionais há muito tempo, lembre-se de que nunca é tarde para olhar para eles e buscar uma forma de cicatrizá-los. Não se acostume com a dor. Não normalize o sofrimento. Encontre espaço para ressignificar suas experiências e permita-se construir uma vida mais leve e plena.
Cuide da sua alma hoje para viver em paz consigo mesmo amanhã. A saúde mental é a base para a harmonia em todas as áreas da vida. Afinal, a sua história merece ser escrita com capítulos de superação, crescimento, felicidade e muita paz — e, em última análise, você é o principal autor, ou a principal autora, dessa narrativa.

Por: Leonardo Abrahão
Institui Janeiro Branco
www.janeirobranco.org.br




segunda-feira, 30 de setembro de 2024

A gratidão pode te dar mais anos de vida, descobrem cientistas

 por Redação Conteúdo Cristão (Allison)



Conte suas bênçãos, seja grato pelo que tem e sempre veja o lado positivo: um novo estudo com quase 50.000 enfermeiras idosas nos EUA sugere que uma atitude de gratidão está ligada a mais anos de vida.


O estudo foi conduzido por uma equipe liderada por pesquisadores da Harvard TH Chan School of Public Health, nos EUA e enquanto não mostra uma causa direta, sugere que perspectivas mentais podem influenciar a saúde física.


Pesquisas anteriores mostraram uma associação entre gratidão e menor risco de sofrimento mental e maior bem-estar emocional e social. No entanto, sua associação com a saúde física é menos compreendida. Nosso estudo fornece a primeira evidência empírica sobre este tópico”, diz a epidemiologista Ying Chen da Harvard TH Chan School of Public Health.


Os participantes do estudo tinham uma idade média de 79 anos quando foram solicitados a preencher um questionário avaliando o quão gratos eram por tudo em suas vidas em 2016. Os pesquisadores então verificaram os registros, que foram coletados como parte de um projeto maior, para ver quantas mortes ocorreram até 2019.


Um total de 4.608 pessoas morreram ao longo dos três anos (2016 a 2019), mas aquelas que tinham as maiores pontuações na escala de gratidão eram cerca de 9% menos propensas a estar entre elas. Aqueles que demonstraram mais gratidão pareciam se sair melhor contra todas as causas de morte, mas especialmente doenças cardiovasculares.


Mesmo que os dados tenham sido controlados por fatores como dados sociodemográficos, histórico de saúde e escolhas de estilo de vida, isso não é suficiente para dizer que a gratidão está causando a maior longevidade – há muitas variáveis envolvidas aqui, incluindo atitudes sobrepostas, como otimismo (também anteriormente ligado a uma melhor saúde cardíaca).


Outros pesquisadores acreditam que há evidências fracas de que praticar a gratidão ajuda a melhorar o bem-estar. E uma meta-análise de 2020 encontrou benefícios limitados, no melhor dos casos, para pessoas que sofrem de ansiedade e depressão.


No entanto, atos deliberados de gratidão – como escrever cartas detalhando pelo que somos gratos – mostraram ser benéficos para algumas pessoas no passado. Isso sugere que um pouco de gratidão pode ser útil para pelo menos alguns de nós.


Pesquisas anteriores indicam que há maneiras de fomentar intencionalmente a gratidão, como escrever ou discutir pelo que somos gratos algumas vezes por semana”, diz Chen.


A seguir, a equipe de pesquisa quer investigar a ligação entre gratidão e mortalidade em um grupo maior e mais diversificado de pessoas. Claro, há razões para ser grato além de viver mais – geralmente é uma mentalidade positiva.


Estudos anteriores sugerem que pessoas gratas são mais propensas a manter hábitos saudáveis, o que pode ser uma razão para os achados deste estudo. A gratidão também pode nos ajudar a cultivar vínculos sociais, que também estão ligados a uma vida mais longa.


Promover um envelhecimento saudável é uma prioridade de saúde pública, e esperamos que mais estudos melhorem nossa compreensão da gratidão como um recurso psicológico para aumentar a longevidade”, diz Chen.


A pesquisa foi publicada no periódico científico JAMA Psychiatry, disponível neste link.


Nota:

Como visto no artigo acima, os cientistas disseram que serão necessários mais estudos para ter uma evidência mais plausível. Porém, o ponto é que existe uma conexão entre gratidão e longevidade, mesmo que não seja algo “testável”, ainda sim é observável.


Na Bíblia há vários relatos sobre gratidão e de como ela é importante para nós, sobretudo gratos ao nosso Criador e nosso Salvador. Veja alguns exemplos:


Salmos 107:1 – “Deem graças ao Senhor porque ele é bom; o seu amor dura para sempre.“


Salmos 136:1 – “Deem graças ao Senhor, porque ele é bom. O seu amor dura para sempre!“


1 Tessalonicenses 5:18 – “Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus.“


Colossenses 3:15 – “Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações, visto que vocês foram chamados a viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos.”




Fonte: conteudocristao.com.br

Imagem: Pixabay


domingo, 15 de setembro de 2024

Setembro amarelo: vale a pena superar barreiras



Viver é, sem dúvida, um convite para uma viagem ao mais íntimo de nós mesmos. Enquanto planejamos roteiros fascinantes, buscamos paisagens dignas de milhares de curtidas ou degustamos sabores exóticos das Blue Zones, conhecidas por sua longevidade, descobrimos que nenhuma jornada é mais reveladora do que aquela que fazemos para dentro do nosso próprio ser.

Nem mesmo a Odisseia de Dante ao centro da Terra rivaliza com o desafio de confrontar emoções escondidas, lágrimas não derramadas, dores sufocadas ou alegrias não celebradas.

Podemos ter um passaporte repleto de carimbos e um acúmulo impressionante de milhas aéreas, mas, se não explorarmos o território do nosso coração, permaneceremos estagnados.

Nossas dores, sejam elas à vista ou parceladas, nos conduzem a caminhos de transformação e cura ou nos arrastam para ciclos de mágoa e arrependimento interminável. A escolha é nossa e, como canta Beto Guedes, “a lição já sabemos de cor, só nos resta aprender”.


Dor é passageira

Quando a dor chega, o desejo de desaparecer ou de sucumbir ao cansaço pode ser avassalador. Porém, é importante lembrar que essa fase é transitória.

Pode parecer insuperável, mas é apenas um trecho íngreme na estrada da vida. Se, mesmo dirigindo um carro, a subida é desafiante, imagine enfrentá-la a pé.

É nesse momento que precisamos praticar a autocompaixão. Falar de autoamor pode soar grandioso, mas talvez comece com gestos simples, como dormir um pouco mais, como nos lembra a canção “Amor de Índio”: “Lembra que o sono é sagrado e alimenta de horizontes o tempo acordado de viver.”


O Setembro Amarelo

Então, sente-se à beira do caminho, respire fundo, entre numa pequena loja e compre um chocolate ou um sorvete, apenas para adoçar a vida.

É hora de encontrar amigos, amores, familiares; de caminhar pelo bairro, ouvir sua música preferida ou se encontrar com o divino.

Essas são artimanhas para provar a si mesmo que vale a pena superar mais uma barreira – aquela que reside dentro do coração –, ao descobrir que é capaz de seguir adiante e chegar ao fim da rua longa e íngreme.

E, ao alcançar o topo, perceber quão gratificante é enfrentar novos desafios, compreendendo que nunca foi o caminho, mas como você o percebe.


Neste Setembro Amarelo, faço um convite: #fica e descobre como é saboroso o dia seguinte.


Por: ROSSANDRO KLINJEY

Fonte: Vida Simples


domingo, 5 de maio de 2024

Autoconhecimento e êxtase


Porque o viver efetivo — com propósito e plenitude — só se dá através do outro. Preciso do outro para experienciar tudo o que a vida tem para me oferecer. E é aqui que alguns se acovardam, porque na aceitação do outro, no compromisso que se assume, pode vir a bênção e a maldição, a tristeza e a alegria; a salvação e a danação. Mas a vida é isso. É saber que se está em risco, é ter ciência que é preciso estar a altura de qualquer acontecimento. E até nesse enfrentamento, o outro é fundamental. É do outro que vem o conhecimento sobre nós mesmos, o discernimento para lidar com a vida com lucidez e serenidade.  

Às vezes, o outro mostra uma face do mundo que preferíamos não conhecer. Uma pessoa pode passar a vida inteira sozinha e nunca sentir solidão. Mas um dia, inesperadamente, conhece um outro, descobre o amor, e junto com o amor descobre que está só. (…) Mas é também do outro que vem o mais intenso e acessível êxtase. O grande cronista Rubem Braga descreveu maravilhado o poder do olhar da mulher que ele amava. “De tudo o que ele (o olhar dela) suscita e esplende e estremece e delira em mim, existem apenas meus olhos recebendo a luz do seu olhar, que me cobre de glórias e me faz magnífico”. 

Pode haver tristeza, pode haver desilusão; mas toda a alegria do mundo, todo o encantamento de viver pode estar agora mesmo à sua frente, no olhar do outro.   


Por: MARGOT CARDOSO

Vida Simples



  

domingo, 17 de dezembro de 2023

A história de Israel e o sentido do Natal


perguntaram: “Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo”. (Mateus 2.2)


Uma propaganda de há poucos anos em Belo Horizonte dizia: “O grande sentido do Natal está no nosso shopping”. Que trágica ironia! O sentido não está em algo que compramos, mas em uma história dada a nós como um presente. No Natal, o cumprimento da esperança de Israel se estende a todas as nações por meio de Cristo.


No Antigo Testamento, Deus gera e chama uma nação para ser instrumento de salvação para todos os povos. Porém, Israel se esquece de sua missão, escolhe ídolos, serve a si mesma em vez de ser luz para outras nações e abandona o Deus que a libertou da terra do Egito.


Após o cativeiro babilônico, mesmo depois do retorno do povo à terra, a nação de Israel continua metaforicamente em exílio, esperando um retorno do Salvador. Israel não mais conseguiria completar sua missão. Quando o mesmo Deus que resgatou seu povo do cativeiro agiria em fidelidade à sua aliança e estenderia sua bênção a todas as nações? Quem será o grande rei da linhagem de Davi?


O Emanuel, Deus conosco, entra na história! Em Belém, em um estábulo, fedido e cercado por animais, não em um renomado shopping. A entrada de Jesus no mundo, a encarnação dele, não é uma invasão cheia de pompa e fanfarras, mas um ato afetivo de sedução que nos chama ao seu coração.


O nascimento de Jesus continua e expande a história de como Deus lida com Israel. Jesus redefine quem é o povo de Deus – toda raça, língua, posição social – para que todos possam conhecer o amor divino e a oferta de salvação.


Pai, muito obrigado pelo presente de Deus em Cristo, que se tornou criança vulnerável. Porque não vieste como um exército invasor ou, heroicamente, em luxuosos shoppings brasileiros, mas vieste em simplicidade, dependência e fraqueza. Hoje olhamos para a manjedoura, olhamos para a cruz, olhamos para o túmulo vazio e participamos do verdadeiro sentido do Natal. Recebemos o melhor presente, te adoramos e te rendemos graças.


Fonte:  Refeições Diárias – Celebrando a ReconciliaçãoEditora Ultimato.

Foto: iStock

domingo, 3 de dezembro de 2023

Por que a zona de conforto é tão criticada se conforto é algo bom?


Dia desses, viajava aqui pelo mundão da internet quando li um título que me fez sentir absurdamente desconfortável. Dizia algo como “a vida começa onde termina sua zona de conforto”.

O texto, direcionado “aos que pensam e sonham grande, aos que são competentes e comprometidos com seus trabalhos”, conduzia o leitor a mergulhar nas possíveis vantagens de fugir ferozmente do território onde pudessem controlar os acontecimentos.

Por preguiça, soberba ou medo, sugeria a observação da zona de conforto como desperdício de talento passível de acarretar prejuízos à saúde, ao intelecto e à dimensão espiritual.

Fechei a tela do computador, respirei fundo e parei para pensar. Eu sei, você sabe, todo mundo sabe, trata-se de um tema polêmico e, ciente da crescente incapacidade de diálogo entre alguns grupos, ouso aqui hoje discorrer sobre meu sentimento em relação à tal afirmação.


É hora de questionar a ideia de produtividade constante

Sou profissional autônoma, comprometidíssima com as diversas e concomitantes atividades que diariamente cercam meu trabalho. Tenho sonhos. Os gurus do empreendedorismo que me perdoem, mas ser produtivo 24 horas por dia é sinônimo de saúde física e mental? Penso que não.

Imersos numa cultura de agitação, vivemos na roda viva em que a ordem é: produzir, produzir e produzir. Foguete não tem ré, dizem alguns. Numa profusão de informações, notícias têm atualização imediata, o WhatsApp apita sem parar, os e-mails lotam a postal. Os dispositivos de conexão nos cercam o tempo todo, pressionando para estarmos disponíveis sempre. Nem ouse não responder alguém em menos de meia hora – sabe-se lá o que dirão de você.


Zona de conforto ou zona de desconforto?

Tenho 52 anos, trabalho desde os 23 e por inúmeras vezes assumi posturas profissionais e pessoais inquietas, talvez pela imposição em fazer diferente do que eu mesma desejava, talvez por acreditar que a tal zona de conforto era um buraco negro que engoliria minha capacidade produtiva.

Com 39 anos, atravessei uma grande mudança profissional, ao migrar de burocráticas atividades jurídicas para o mundo manual/artesanal. Por bastante tempo me preparei técnica e emocionalmente para encarar a decisão, e tinha total ciência de que, àquela época, precisava mesmo era sair da minha zona de desconforto – o lugar onde me encontrava. Naquele momento, sabia que a mudança seria uma importante escolha. E foi!


A régua do sucesso varia de pessoa para pessoa

Há algum tempo, li no Vida Simples um texto assinado por Alessandro Fernandes que tratava exatamente do tema que hoje aqui discorro: a zona de conforto. Para o autor, a zona de conforto se tornou uma pedra no sapato na maioria das pessoas que passaram a se sentir incomodadas com seus modos de vida, ações e escolhas pessoais, profissionais e familiares.

“Somos constantemente influenciados a nos comportar de forma homogênea, perseguindo conquistas materiais, profissionais e familiares, uma eterna corrida para uma fantasia criada nas últimas décadas. Daniele Thomaselli considera isso um comportamento de rebanho, fazer aquilo que todo mundo faz, buscar aquilo que todo mundo busca. Definir sucesso e realização a partir da ótica socialmente aceitável e reforçada leva a um adoecimento mental”, explicou.

Minhas sensações foram ao encontro de suas palavras. Ufa! Não estou sozinha no mundo de quem quer viver, trabalhar, se relacionar, dentre parâmetros que façam sentido a cada um de nós.


A zona de conforto como refúgio

Na psicologia, a zona de conforto é uma série de ações, pensamentos e/ou comportamentos que alguém está acostumado a ter, que não lhe causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco. Para mim, esse é lugar de auto refúgio. Um porto seguro de sensações.

A pesquisadora de Estudos Culturais e Urbanos, Mariane Santana, recentemente escreveu a respeito: “a zona de conforto é, na verdade, o lugar que deveríamos procurar. Um lugar onde exista segurança e acolhimento para se viver… e prosseguiu; que nossa vontade de sair dessa paralisia nos leve à produção do Bem Viver. Que possamos sonhar outros mundos, acolhedores, seguros, onde o conforto seja um presente, não uma ameaça”.

Na minha visão, zona de conforto nada tem a ver com letargia. É sensação de colo de mãe, abraço de amigo, bolo com leite condensado, livro no sofá, um sussurro no ouvido dizendo “respeita teu tempo”.

Visite a sua zona de conforto, nem que seja esporadicamente. Há de lhe fazer um bem danado!


Beijos meus!


Por: Lu Gastal  - Colunista do Vida Simples