terça-feira, 24 de abril de 2018

Sou Eu

Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo, 
Espécie de acessório ou sobressalente próprio, 
Arredores irregulares da minha emoção sincera, 
Sou eu aqui em mim, sou eu. 

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou. 
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma. 
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim. 

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconsequente, 
Como de um sonho formado sobre realidades mistas, 
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico, 
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima. 

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua, 
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda, 
De haver melhor em mim do que eu. 

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa, 
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores, 
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho, 
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas, 
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida. 

Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica, 
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar, 
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo — 
A impressão de pão com manteiga e brinquedos 
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina, 
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela, 
Num ver chover com som lá fora 
E não as lágrimas mortas de custar a engolir. 

Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado, 
O emissário sem carta nem credenciais, 
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro, 
A quem tinem as campainhas da cabeça 
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima. 

Sou eu mesmo, a charada sincopada 
Que ninguém da roda decifra nos serões de província. 

Sou eu mesmo, que remédio! ... 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Meus trechos de: O Pequeno Príncipe


•      Todas as pessoas grandes, antes disso, foram crianças. Mas poucos são os que se lembram.
Bem sabe...quando estamos tristes, é bom ver o pôr do sol.
É indispensável que eu sabia suportar duas ou três lagartas para conhecer as borboletas.
Deve exigir-se de cada um somente aquilo que é capaz de fazer.
Então você poderá julgar a si mesmo – respondeu o rei – É a parte mais difícil. Sem dúvida, é bem mais difícil julga-se a si mesmo do que aos outros. Se conseguir fazê-lo provará que é um verdadeiro sábio.
Isso porque para os vaidosos, os outros homens são sempre seus admiradores.
O vaidoso, porem, não o ouviu. Os vaidosos só ouvem os elogios.
No entanto é o único que não me parece ridículo. Talvez porque se interesse mais por outras coisas do que por si.
Mas quando me cativar, minha vida ficará ensolarada.
Só conhecemos as coisas que conseguimos cativas.
Só o coração é capaz de ver bem as coisas. O essencial é invisível aos olhos.
Nunca a pessoa se acha contente no lugar onde está.
Será sempre responsável por aquilo que cativou
Se eu tivesse 53 minutos para gastar, caminharia tranquilamente em busca de uma fonte.
Quer se trate da casa, das estrelas ou do deserto, o que faz cada coisa bela é  invisível.
O que vejo é só aparência. A parte mais importante é invisível.
Os olhos são cegos devemos buscar com o coração.
Corremos o risco de chorar um pouco quando nos deixamos cativar.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Empatia


As batalhas travadas na luta diária da vida, em busca de conquistar o que se almeja, seja o alimento na mesa ou uma posição mais elevada, pode acelerar nossos passos. Às vezes, o envolvimento ocorre em tantas ocupações que, sem que nos demos conta, já não nos sobra tempo para verdadeiramente nos relacionarmos com as pessoas à nossa volta.

Quando um turbilhão de obrigações nos envolve, pela necessidade que temos de produzir e vencer, percebemo-nos, muitas vezes, solitários na caminhada, desejando nos doar mais ao outro sem, contudo, conseguir. Enfrentamos um sentimento de impotência por não nos vermos como um amigo presente, uma amiga sensível, um pai atencioso, uma mãe paciente, um filho gentil, ou uma filha generosa quando é exatamente o que desejamos ser.

Ao mesmo tempo que temos conquistas das quais nos orgulhamos, os sentimentos escondidos de vazio e solidão nos enclausuram em nós mesmos. Então, ensimesmados, distanciamo-nos cada vez mais das pessoas à nossa volta. Sentimo-nos incompreendidos e julgados, e tomamos o orgulho como escudo, atrás do qual escondemos a nossa dor, quando desejamos veementemente nos sentir aceitos, assim como somos.

O Poema em Linha Reta, de Fernando Pessoa, descreve o sentimento angustiado de alguém que, entre os seus, se sente deslocado no mundo, diante da ausência de empatia das pessoas à sua volta:

[…] Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Desejamos a acolhida empática, onde sintamos a liberdade de poder ser por inteiro, sabendo-nos compreendidos quanto ao nosso empenho em fazer a vida dar certo, vestidos de amor, afeto e nossos defeitos.

Embora haja uma distância entre o que desejamos viver e o que conseguimos, de fato, as relações são vitais para o bem-estar. Porém, desejamos a riqueza de termos próximos a nós pessoas capazes de se colocarem no lugar das outras e compreender seus sentimentos. Se isso acontece, fica mais fácil que nos dispamos das máscaras do orgulho que nos protege, e nos abramos para a construção de relacionamentos consistentes e frutíferos de harmonia e paz.


Por: Cida – CVV Belo Horizonte- MG
O CVV está à disposição para conversar com você 24 horas por dia. 
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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Eu sou assim porque... sou FLEUMÁTICO


Eu gosto muito de aprender sobre temperamento, apesar de que –  muitas pessoas fazem do seu temperamento a sua muleta, ou seja, eu sou assim – porque tenho este temperamento, então não posso mudar.

Mas isso não é verdade – quer dizer, não podemos mudar o nosso temperamento, mas melhorá-lo, colocá-lo em tratamento é possível.

Alguns cristãos acham ainda que esse tipo de assunto é muito espiritual, mas pelo contrário, é algo que aprendemos na psicologia.

O seu temperamento é a sua maior inclinação pessoal, é aquilo que você sente e deseja, também está profundamente relacionando aos seus hábitos e aspirações.

É algo que podemos observar já em uma criança, as características fortes da sua personalidade. Aqui se encaixa muito bem esta questão – nenhum filho é como o outro, ou seja, cada um tem seu temperamento e suas características.

Segundo a psicologia existem quatro tipos de temperamento – Fleumático, Sanguíneo, Colérico e o Melancólico.

Conheça o.... FLEUMÁTICO

A pessoa que possui este temperamento – geralmente é pacífica, prática, bem-humorada, leal, calma e eficiente, cumpridora de seus deveres e conservadora em seus princípios.

Quando assume uma função de liderança, estabelece o caminho que deve seguir. É bastante diplomática, também prática e muito bem humorada.

Também podendo ser calculista, temerosa, indecisa, contemplativa ao extremo, muito saudosista.

Todo fleumático precisa melhorar na desmotivação, na falta de vontade em continuar seus projetos e também na indecisão.

Nunca pergunte isso a um fleumático: - o que você quer comer hoje? Ele vai te contar milhares de história sobre suas comidas preferidas e vai concluir sem saber o que gostaria de jantar naquele noite.

Os Fleumáticos são pessoas de fácil convívio social, tem uma natureza tranquila e uma forma descontraída de ser. Geralmente, são simpáticos e pacificadores natos.

Encontram maneiras gentis e eficientes de tratar as pessoas, não criando atritos.

Isso eu acho bacana nos fleumáticos - não se responsabilizam por nada além daquilo que podem de fato “dar conta”. Quase nunca são estressados.

Porém, disfarçam suas emoções e amam apreciar as belas artes e as melhores coisas da vida.

Casar com um fleumático (a) é um grande tratamento – Ô!


Créditos: (Texto e ilustração): Gabriella Farina - Blog  Sobre Tudo-Sobre Nada / adaptado

sábado, 7 de abril de 2018

Sinto Tanta Falta



Por: Raissa Bomtempo
  

Sinto tanta falta daquilo que eu nunca tive, mas gostaria de ter. Falta do que já passou e até do que ainda não aconteceu. Sinto falta do que ainda virá e daquilo que já se foi. Sinto falta de um sorriso sincero e da gargalhada de uma criança.
Sinto falta do que me falta, ainda que tantas sejam as coisas que me sobram.
Ah…sinto tanta falta.
Falta de olhar para o mar todos os dias, falta apreciar as estrelas e a lua.
Falta do tempo que já passou, falta do tempo que ainda vai chegar.
Falta daquilo que me completa, falta satisfação.
Ah, são tantas as faltas.
Falta de amor ao próximo, falta de sensibilidade, de respeito, de paciência, de lealdade.
Será que todo mundo sente tanta falta?
Às vezes,sinto falta, ainda que não saiba ao certo o que me falta.
E você? O que lhe falta?
Falta compreensão? Falta a presença de um ente querido? Falta atenção? Falta alegria? Falta o verdadeiro amor? Sobra tanta falta?

A humanidade tem um defeito de fabricação: sentir falta; e, nunca conseguiremos estar plenamente satisfeitos. A falta que sentimos nos leva a compreender que fomos criados por um propósito maior. Ainda que, aparentemente nada nos falte, continuaremos sentindo no peito a dor da “falta”.
Ainda que estejamos no ápice da realização pessoal, ainda que tenhamos tudo e até mesmo estejamos em uma viagem dos sonhos ou com as melhores companhias, em um momento determinado perceberemos que ainda assim, algo FALTA.

O Apostolo Paulo experimentou os extremos da alegria e da tristeza, da fartura e da escassez, descobriu a razão de tanta falta e compreendeu a forma de supri-la. Ele nos mostra que é possível viver com satisfação plena e isso independe de situações favoráveis. O contentamento pleno repousa na Presença de Deus.

“Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquEle que me fortalece”  Filipenses4:12-13

Deus tem a medida exata do que nos falta. Quando Deus enviou o seu filho, ELE nos ofereceu um lindo presente que supriria todas as nossas faltas. A presença de Jesus é a medida. O que na verdade nos falta é buscarmos mais ao Senhor e desfrutarmos mais desse Presente; só assim, ainda que nos sobre ou falte algo nos sentiremos completos.

“A minha Graça te basta”- foi a resposta que o apostolo Paulo teve quando disse ao Senhor que lhe faltava saúde.
Nada obstante, onde há falta, há também excesso de Graça disponível. 
A GRAÇA DE DEUS SUPRE AQUILO QUE NOS FALTA.

“Se encontro em mim um desejo que nenhuma experiência deste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é a de que fui criado para outro mundo. “ C.S.Lewis



sexta-feira, 6 de abril de 2018

Sobra Tanta Falta

Para refletir:  Será que todo mundo sente tanta falta?


Sobra Tanta Falta (O Teatro Mágico)
  


Falta tanta coisa na minha janela como uma praia
Falta tanta coisa na memória como o rosto dela
Falta tanto tempo no relógio quanto uma semana
Sobra tanta falta de paciência que me desespero
Sobram tantas meias verdades que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer que nunca consigo

Sei lá se o que me deu foi dado
Sei lá se o que me deu já é meu
Sei lá se o que me deu foi dado ou se é seu

Vai saber se o que me deu quem sabe
Vai saber quem souber me salve
Vai saber o que me deu quem sabe
Vai saber quem souber me salve


Composição: Trevisan 

sábado, 31 de março de 2018

A Cruz e o nosso pecado


                                                                 "Para Celebrar a Páscoa" - Ricardo Barbosa de Sousa - Editora Ultimato 




“Deus todo-poderoso, de coração enternecido contemplamos o imenso sofrimento a que teu Filho unigênito se submeteu. Ó Senhor, dá que eu me arrependa verdadeiramente de meus pecados. Corrige-me, Senhor, peço-o de coração. Tu, Senhor, venceste o mundo. Faze-me participar de tua vitória.”
 Albrecht Dürer, 1471-1528, pintor alemão

Meditação
“Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (At. 2:36). A acusação de Pedro neste discurso é, sem dúvida, muito dura e abrangente. Ele acusa toda a casa de Israel da responsabilidade pela crucificação de Cristo. A multidão em Jerusalém no dia de Pentecostes certamente não era a mesma multidão que lá estivera para a festa da Páscoa. No entanto, a multidão de Pentecostes era tão responsável pela cruz de Cristo quanto a multidão da Páscoa. A culpa estava em todos nós, gentios e judeus. A cruz expôs diante de todos nós aquilo que insistentemente negamos. Conspiramos contra Deus e contra o homem que ele criou à sua imagem e semelhança. No entanto, a ação de Deus em Cristo sobre a cruz foi maior e mais poderosa que a ação daqueles que o colocaram nela. A traição, o abandono, a injustiça, a maldade, a mentira, a covardia que estiveram presentes na crucificação fazem parte do nosso cotidiano, compõem nossas vidas e relações e nos fazem culpados como os judeus daquela páscoa. Porém, a cruz testemunha o triunfo do amor, da graça e do perdão, e oferece a nós, pecadores que somos, a dádiva da reconciliação. 
Mesmo vivendo 20 séculos depois, você se sente responsável pela crucificação de Cristo? Por que?

Intercessão
Ore para que, mesmo depois de 20 séculos, não esqueçamos que foi o nosso pecado, maldade e mentira que crucificaram nosso Senhor.