A qualidade das nossas escolhas depende, e muito, da percepção de quem somos e do que queremos nesta existência.
A atitude mais comum é nos precipitarmos em nos apresentar de modo fiel a uma “identidade pré-concebida” que acreditamos ser, ou mesmo “fingir” que somos o personagem que inventamos.
Temos dificuldade de improvisar, de viver situações inesperadas, diferentes e de deixarmos espaços livres para novos caminhos na vida - lugares onde novos caminhos neuronais (a neuroplasticidade), através do pensar, falar, sentir e agir, se tornam indispensáveis.
O Novo… uma possibilidade de livre-arbítrio
Exemplos de novas posturas: e se o tímido pudesse ser extrovertido pela primeira vez, o autoritário pudesse relaxar, viver sua vulnerabilidade e sair do controle e o canalha se emocionar e se apaixonar profundamente…
Quando vivemos várias realidades distintas e lidamos com uma ampla gama de situações e histórias, existe uma possibilidade de percebermos que muitas vezes nos moldamos às situações, sem a consciência clara que fizemos escolhas automatizadas.
A autossabotagem é um comportamento inconsciente que parte de uma percepção equivocada de autoengano e de momentos de autoabandono e autoesquecimento de quem realmente nós somos.
Atrás de cada postura e comportamento há uma tendência. Quando uma criança chora demasiadamente, pode haver uma tendência à carência. Por trás do nariz empinado, uma tendência ao orgulho.
O que então, estaria por baixo dessa base de tendências e condicionamentos?
Embora essa pergunta possa parecer filosófica, ela é o cerne de nossa insatisfação, de nossa instabilidade de energia e ânimo. É justamente por transitar de uma identidade à outra, sem consciência, que seguimos não vivendo a autoria das nossas escolhas.
Livre Arbítrio
Não é o “transitar” que nos aflige, e sim o nosso apego a cada personagem (“eu sou isso”) que nos coloca em crise cada vez que um deles se dá mal ou alguma situação termina. Quando, por exemplo, a/o namorada(o) nos abandona, sentimos no corpo a sensação do vazio, nos falta ar, sofremos.
A morte não é só do outro, mas principalmente daquele personagem que habitávamos e com o qual nos identificávamos - por exemplo, como sendo o/a “namorado(a)” da tal pessoa.
O livre-arbítrio acontece no momento que conseguimos responder conscientemente às situações desafiadoras, e não simplesmente reagir a elas.
Para compreendermos melhor a causa da insatisfação recorrente, ou seja, os desejos frustrados que vêm de uma mente identificada coma certos padrões mentais, precisamos também entender que estamos conectados à ânsia da completude, de algo que nos preencha totalmente, mas sem resultados realmente satisfatórios.
“Há duas maneiras de nos relacionarmos conosco: acreditar no que somos ou ver nossas faces como personagens de nós mesmos.” -
Gustavo Gitti
Por: https://mauriciobastos10.substack.com/
